<T->
          Coleo De Olho no Futuro
          Histria -- 4 Srie
          Ensino Fundamental

          Thatiane Pinela
          Liz Andria Giaretta
 
<F->
Impresso Braille em 3 partes na diagramao de 28 linhas por 34 caracteres, da 1a. edio, So Paulo -- 2005.
<F+>

          Primeira Parte

          Ministrio da Educao
          Instituto Benjamin Constant
          Av. Pasteur, 350-368 -- Urca
          22290-240 Rio de Janeiro 
          RJ -- Brasil
          Tel.: (0xx21) 3478-4400
          Fax: (0xx21) 3478-4444
          E-mail: ~,ibc@ibc.gov.br~, 
          ~,http:www.ibc.gov.br~,
          -- 2007 --
<p>
          (C) Copyright Liz Andria Giaretta  e Thatiane Tomal 
          Pinela, 2005

          Coordenao Editorial:
          Angelo Bellusci Cavalcante
            
          Editorao eletrnica:
          Luiz Roberto Lucio Correa

          ISBN: 85-305-0409-7

          Todos os direitos de edio 
          reservados  Quinteto Editorial LTDA.
          Rua Rui Barbosa, 156 -- 
          sala 1 (Bela Vista) 
          So Paulo -- SP 
          CEP 01326-010 
          Tel.: (11) 3253-5011 
          Fax: (11) 3284-8500 r. 243

<p>
                               I
<R+>
Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)
 (Cmara Brasileira Do Livro, SP, Brasil)

<F->
Giaretta, Liz Andria
  De olho no futuro : histria : novo/Liz Andria Giaretta, Thatiane 
Tomal Pinela. -- 1. ed. -- So Paulo : Quinteto Editorial, 2005. -- 
(Coleo de olho no futuro : histria)

  Vrios ilustradores.
  Obra em 4 v.
  2 a 4 srie no-consumvel.
  Suplementado pelo manual do professor.

  1. Histria (Ensino fundamental) I. Pinela, Thatiane Tomal. II. Ttulo. III. Srie.

04-8476         CDD-372`.89 

ndices para catlogo siste-
  mtico:
1. Histria: Ensino fundamental  372`.89        

ISBN: 85-305-0408-9
<F+>
<R->
<p>
                             III
<R+>
 De olho no livro
<R->
 
  Este livro  um convite ao estudo da Histria. Juntos vamos conhecer o modo de vida de pessoas de diferentes lugares, no passado e presente, e descobrir como a histria dessas pessoas est relacionada  nossa prpria vida.
  Por meio desse estudo, tambm vamos conhecer melhor o mundo em que vivemos, e compreender que  no dia-a-dia que ns fazemos a Histria.
  Um timo ano de estudos!

As autoras

  Antes de comear o estudo com o seu livro de 4 srie, vamos conhec-lo melhor. Veja a seguir como ele est organizado.
  Nas primeiras pginas de cada captulo do seu livro de Histria, voc encontrar textos e imagens que vo deix-lo curioso para 
<p>
descobrir o que vir nas pginas seguintes.
  Em todos os captulos existem pginas especiais de atividades. Essas atividades vo ajud-lo a compreender melhor os contedos trabalhados.
  Em alguns momentos voc ter a oportunidade de ampliar os seus conhecimentos sobre diferentes assuntos conversando com as pessoas e realizando pesquisas em livros, revistas, sites da Internet, entre outras fontes.
  No decorrer dos captulos, so apresentadas informaes que vo complementar e ampliar os seus conhecimentos sobre o assunto que est sendo estudado.
  Voc ser convidado a realizar atividades individuais ou coletivas, que vo ajud-lo a colocar em prtica, de forma criativa e divertida, o que estudou.
<p>
                               V
  Na seo *Entrevistando*, voc ter oportunidade de conhecer diferentes experincias de vida e vai perceber como a entrevista  um importante meio de obter informaes.

  Na seo *Trocando idias*, voc vai expressar as suas opinies e conhecer as opinies dos colegas. Nela, so apresentados questionamentos sobre temas polmicos para voc refletir e trocar idias sobre os mais diversos assuntos.

  Em *De olho na biblioteca*, so feitas sugestes de leitura de alguns livros relacionados ao assunto estudado. Essas leituras vo auxili-lo a compreender melhor os contedos desenvolvidos.

  Na seo *Na linha do tempo*, voc vai compreender melhor como os fatos ocorrem em uma seqncia de tempo. Voc ainda ter a opor-
<P>
tunidade de registrar e analisar importantes acontecimentos relacionados  sua histria de vida e a outras histrias.

  No final do livro de Histria, voc vai encontrar um glossrio. Esse glossrio apresenta explicaes e significados de algumas palavras que aparecem no texto e tambm fornece outras informaes que podem ampliar os seus conhecimentos.
<p>
                             VII
<R+>
Sumrio Geral

Primeira Parte

Captulo 1

<F->
Os primeiros habitantes 
  do territrio ::::::::::::: 1
Os primeiros povoadores 
  da Amrica ::::::::::::::: 4  
A moradia dos povos 
  indgenas ::::::::::::::::: 10
A alimentao dos 
  indgenas ::::::::::::::::: 14  
A natureza e os povos 
  indgenas ::::::::::::::::: 19
O trabalho dos povos 
  indgenas ::::::::::::::::: 21
Um acontecimento 
  inesperado :::::::::::::::: 26
Comea a explorao 
  do territrio ::::::::::::: 43
O incio da colonizao :::: 47
As lutas dos povos 
  indgenas ::::::::::::::::: 50
Heranas culturais ::::::::: 53

Captulo 2

Africanos no Brasil ::::::: 57
As sociedades 
  africanas ::::::::::::::::: 60
O comrcio de pessoas :::::: 64
O dia-a-dia nos engenhos ::: 68
O trabalho nos engenhos :::: 76
A escravido nas minas ::::: 80
Escravos nas cidades ::::::: 86
A resistncia  
  escravido :::::::::::::::: 93
O fim da escravido :::::::: 102
A influncia dos africanos 
  na cultura brasileira ::::: 107
As lutas dos descendentes
  de africanos na 
  atualidade :::::::::::::::: 110

Segunda Parte

Captulo 3

Os imigrantes :::::::::::::: 115
Os imigrantes chegam ao
  Brasil ::::::::::::::::::: 117
Os primeiros imigrantes 
  no Brasil :::::::::::::::: 121
                             IX
Imigrantes nos cafezais :::: 123
O dia-a-dia nas fazendas 
  de caf ::::::::::::::::::: 127
As ferrovias e o 
  progresso ::::::::::::::::: 133
Imigrantes nas cidades ::::: 138
Principais grupos de
  imigrantes :::::::::::::::: 146
Os imigrantes e a cultura
  brasileira :::::::::::::::: 151
Os operrios lutam por 
  seus direitos ::::::::::::: 155

Captulo 4

O povo brasileiro :::::::::: 160
De onde viemos? :::::::::::: 164
Chegadas e partidas :::::::: 170
Rumo aos seringais ::::::::: 172
Construindo uma capital :::: 180
Procurando novas terras :::: 182
Em busca de ouro ::::::::::: 186
<P> 
Terceira Parte
 
Glossrio :::::::::::::::::: 193

Cronologia ::::::::::::::::: 202
<F+>
<R->

 Notas de transcrio:

  Nesta obra, as palavras abaixo enumeradas tm estes sentidos:
<R+>
 1 -- Ilustrao, imagem: figura usada para exemplificar ou reforar 
uma idia ou um texto.
 2 -- Legenda: texto explicativo de foto, gravura, ilustrao, 
quadro, etc.
<R->

<10>
<Thist. olho fut. 4>
<T+1>
Captulo 1

Os primeiros habitantes do
  territrio

  No dia 22 de abril do ano 2000, foram realizados eventos em vrios lugares do pas para comemorar "500 anos do Brasil". Nesta data, foi festejada a chegada dos portugueses, comandados por Pedro lvares Cabral, ao nosso territrio, no ano de 1500.
  Porm, nem todas as pessoas concordaram com a comemorao desse acontecimento.
  Leia o texto a seguir, que expressa a opinio de um representante do povo Patax sobre esse assunto.

  Hoje  um dia que poderia ser um dia de alegria para todos ns. Vocs esto dentro da nossa casa. [...]
  Onde vocs esto pisando vocs tm que ter respeito porque essa terra pertence a ns. Vocs, quando chegaram aqui, essa terra j era nossa. O que vocs fazem com a gente?
  Nossos povos tm muitas histrias para contar. Nossos povos nativos e donos dessas terras, que vivem em harmonia com a natureza: Tupi, Xavante, Tapuia, Kayap, Patax e tantos outros.
<11>
  [...] 
  Hoje querem afirmar a qualquer custo a mentira, a mentira do descobrimento. Cravando em nossa terra uma cruz de metal, levando o nosso monumento, que seria a resistncia dos povos indgenas. [...]
  [...]
  A terra para ns  sagrada. Nela est a memria de nossos ancestrais dizendo que clama por justia. Por isso exigimos a demarcao de nossos territrios indgenas, o respeito s nossas culturas e s nossas diferenas, condies para sustentao, educao, sade e punio aos responsveis pelas agresses aos povos indgenas.
  Estamos de luto. At quando? 
  [...]

<R+>
 Benedito Prezia. *Brasil indgena*: 500 anos de resistncia. So Paulo, FTD, 2000.
<R->

<R+>
 Leia as questes a seguir e anote as respostas.  
 a) Qual  a opinio desse indgena sobre as comemoraes dos 500 anos do "descobrimento" do Brasil?
 b) De acordo com o texto, quem so os verdadeiros donos deste territrio? Por qu?
 c) A quem o indgena se refere quando afirma: "Vocs, quando chegaram aqui, essa terra j era nossa"?
 d) Para os indgenas, por que a terra  considerada sagrada?
<P>
 e) Procure no dicionrio o significado da palavra luto. De acordo com essa informao, por qual motivo os indgenas esto de luto?
<R->

<R+>
Trocando idias

 Na sua opinio, o que pode ser feito para resolver ou melhorar a situao atual dos povos indgenas que vivem no Brasil? Converse com os colegas.
<R->

<12>
<R+>
Os primeiros povoadores da 
  Amrica
<R->

  O territrio que hoje corresponde ao Brasil j era habitado por povos indgenas muito tempo antes da chegada dos portugueses, em 1500.
  O artista *Johann Moritz Rugendas*, no sculo XIX, produziu gravuras representando indgenas semelhantes aos que viviam em nosso territrio muito tempo antes da chegada dos portugueses.
  Mas de onde vieram os povos indgenas? Como eles chegaram ao nosso territrio? Ainda no existem respostas definitivas para essas perguntas. Porm muitos pesquisadores se dedicam a estudos que tentam explicar a origem dos seres humanos que povoaram a Amrica.
  Uma das explicaes mais aceitas pelos pesquisadores  a Hiptese da Rota de Bering. De acordo com essa hiptese, os seres humanos teriam vindo da sia h cerca de 12 mil anos, durante a ltima Era Glacial. Naquela poca formou-se uma ponte de terra e gelo na regio do estreito de Bering. Os primeiros povoadores teriam aproveitado essa ponte para chegar  Amrica.
  Uma outra hiptese  conhecida como Hiptese da Rota Transocenica. Ela afirma que os primeiros habitantes da Amrica vieram da sia para a Amrica atravessando o oceano Pacfico, de ilha em ilha, navegando em pequenas embarcaes.
<13>
  H uma outra hiptese que vem ganhando a aceitao de um grande nmero de estudiosos nos ltimos anos: a Hiptese da Rota Costeira. De acordo com ela, os primeiros povoadores teriam vindo da sia e atravessado de barco, prximo ao estreito de Bering. Depois, navegando ao longo da costa da Amrica, aos poucos, eles teriam entrado no continente americano.

<R+>
 Associe cada uma das afirmativas abaixo a uma das hipteses. Depois, anote as respostas.
 1) Rota de Bering
 2) Rota Transocenica
 3) Rota Costeira
 A) Os primeiros povoadores chegaram  Amrica atravessando o oceano Pacfico, de ilha em ilha, em pequenas embarcaes.
<P>
 B) Vieram para o continente americano atravessando uma ponte de terra e gelo que unia a sia e a Amrica.
 C) Atravessaram o estreito de Bering de barco e, depois, navegaram ao longo da costa da Amrica, entrando, aos poucos, no continente.
<R->

Algo a mais

  Atualmente, muitos pesquisadores acreditam que houve vrias levas de povoadores da Amrica, e no apenas uma. Esses povoadores teriam chegado em pocas diversas, percorrendo diferentes rotas.

<14>
Algo a mais

  Voc conheceu algumas hipteses que tentam explicar como os primeiros povoadores chegaram  Amrica.
  Essas hipteses so elaboradas com base nos estudos realizados por diversos pesquisadores. Entre os pesquisadores que se dedicam ao estudo dos povos que viveram h milhares de anos destacam-se os arquelogos.
  Os arquelogos tentam reconstruir a histria e o modo de vida dos povos do passado por meio do estudo de vestgios arqueolgicos, como objetos, sobras de alimentos, enfeites, pinturas e runas de moradias.
  Observe a descrio das fotografias a seguir. Elas retratam alguns vestgios arqueolgicos.

<R+>
A --
 _`[Desenhos nas rochas_`]
 Legenda: Pintura que pode ter sido feita h cerca de 30 mil anos, por povos que habitavam a Serra da Capivara, no atual estado do Piau.
<P>
B --
 _`[Vaso pintado com desenhos decorativos_`]
 Legenda: Vaso de cermica produzido h pelo menos 1500 anos, por indgenas que habitaram a ilha de Maraj, no atual estado do Par.

<15>
C --
 _`[Ponta de uma flecha de pedra_`]
 Legenda: Ponta de flecha produzida h cerca de 2500 anos, por indgenas que habitavam o norte do atual estado do Paran.
<R->

  A maioria desses vestgios  encontrada nos stios arqueolgicos, que so lugares onde seres humanos viveram ou realizaram diferentes atividades.
<P>
<R+>
 _`[Foto de homens dentro de um enorme buraco, escavando a terra com ferramentas apropriadas_`]
 Legenda: Arquelogos trabalhando em um stio arqueolgico localizado no norte do estado da Bahia.
<R->

<R+>
 Leia as questes a seguir e anote as respostas.
 a) Observando as fotografias A, B e C, quais informaes voc consegue obter sobre o modo de vida dos seres humanos que deixaram esses vestgios arqueolgicos?
 b) Na sua opinio, quais objetos do seu dia-a-dia poderiam ser utilizados como vestgios arqueolgicos por pesquisadores no futuro? Quais informaes eles conseguiriam obter sobre o seu modo de vida?
<R->

<16>
<R+>
A moradia dos povos indgenas
<R->

  Desde que os povos indgenas entraram em contato com as sociedades no-indgenas, o seu modo de vida sofreu grandes transformaes.
  Apesar disso, alguns povos indgenas preservaram muitos dos seus costumes at os dias de hoje, que podem ser identificados, por exemplo, no modo como organizam e constroem as suas moradias.
  A maioria dos povos indgenas vive em aldeias, onde so construdas as suas moradias. As aldeias, geralmente, ficam localizadas nas matas e prximas aos rios.
  O formato das aldeias e os tipos de moradia variam de acordo com os costumes e as tradies de cada povo.
  Observe a descrio das imagens a seguir, que retratam como alguns povos indgenas organizam o espao onde moram.
<P>
<R+>
 A --
 _`[Foto de uma enorme casa de ripas de madeira coberta com folhas de palmeiras_`]
 Legenda: As aldeias Ianommi, localizadas principalmente nos estados do Amazonas e de Roraima, so formadas por uma nica e grande casa. Essa casa, geralmente redonda e com um grande ptio no centro, abriga todos os moradores da aldeia, que variam de trinta a oitenta pessoas.
  Dentro dela, cada famlia tem o seu espao para acender as fogueiras e estender as suas redes.
  A fotografia acima retrata uma moradia Ianommi, na aldeia Demini, no estado de Roraima, em 1991.

<17>
<P>
 B --
 _`[Foto de um grupo de casas de ripas de madeira, cips e folhas de palmeiras_`]
 Legenda: Nas aldeias Xavante as casas so circulares e abrigam geralmente de seis a dez pessoas. Essas casas so dispostas em um semi-crculo, o que faz com que o formato da aldeia lembre uma ferradura.
  A fotografia acima retrata moradias Xavante, na aldeia Pimentel Barbosa, no estado do Mato Grosso, em 1999.
<R->

<R+>
 a) De acordo com as descries das imagens, quais dos materiais apresentados a seguir so utilizados pelos povos indgenas na construo das suas moradias? Anote a resposta.
 Tijolos
 Folhas de palmeira
 Cimento
<P>
 Madeira
 Telhas
 Cips

 b) Compare as fotografias das aldeias indgenas apresentadas e identifique algumas semelhanas entre elas. Depois, identifique tambm as diferenas.
 c) Agora, compare as moradias indgenas com a sua moradia e identifique algumas semelhanas entre elas. Depois, identifique tambm as diferenas. Comente com os colegas.
<R->

<18>
A alimentao dos indgenas

  Voc viu que alguns dos recursos utilizados pelos indgenas no seu dia-a-dia so obtidos na natureza. Assim tambm ocorre com alguns alimentos necessrios para a sobrevivncia deles.
  Conhea a seguir como alguns povos indgenas exploram os recursos naturais para obter alguns alimentos.
  A caa  uma atividade muito praticada pelos povos indgenas, como os Xavante de Mato Grosso e os Ianommi de Roraima. Para caar nas matas, eles utilizam, principalmente, o arco e a flecha.
  Anta, tatu, porco-do-mato, cutia, paca e tamandu so alguns animais caados e utilizados na alimentao dos povos indgenas.

<R+>
 _`[Foto de um indgena no meio da mata_`]
 Legenda: Homem Ianommi caando com arco e flecha, na aldeia Demini, do estado de Roraima, em 1991.

<R->
  A pesca tambm  realizada pelos povos indgenas.
  Uma das vrias tcnicas utilizadas por eles para pescar consiste em jogar na gua do rio uma espcie de veneno extrado de plantas. Os peixes ficam tontos e biam na superfcie, facilitando a sua captura.
  Matrinx, tucunar, curimat, piau e pintado so alguns peixes apreciados pelos povos indgenas.

<R+>
 _`[Foto de um indgena segurando alguns peixes_`]
 Legenda: Menino Tucano com peixes obtidos por meio da pesca, na aldeia Cururu, do estado do Amazonas, em 2002.
<R->

  A coleta na mata tambm  realizada pelos indgenas para obter alimentos.
  Quando eles saem para realiz-la, apanham na mata tudo o que encontram e que pode servir para a alimentao das pessoas da aldeia.
  Alguns povos, como os Nambikuara e os Patax, realizam a coleta de frutos, larvas e mel.
<19>
  Alguns povos, como os Kaiap e os Ianommi, costumam cultivar gneros agrcolas em pequenas reas de terra, para o sustento das pessoas da sua comunidade. Este tipo de atividade  chamada de agricultura de subsistncia.
  Entre os principais gneros cultivados esto a mandioca, o milho, a batata-doce, o amendoim, o feijo e o algodo.

<R+>
 _`[Foto de um grupo de indgenas colhendo mandioca_`]
 Legenda: Indgenas Ianommi trabalhando na colheita de mandioca, na aldeia Demini, no estado de Roraima, na atualidade.
<R->

  De acordo com a cultura dos povos indgenas, grande parte deles no costuma acumular riquezas ou bens. Por isso, s retiram da natureza o que necessitam para so-
 breviver. Dessa forma, a natureza tem tempo para se reconstituir e continuar fornecendo os recursos de que eles precisam.

<R+>
 Na sua opinio, a preocupao de preservar a natureza extraindo dela somente o que for necessrio  uma atitude que tem sido 
<P>
  tomada pela sociedade no-indgena? Comente com os colegas.
<R->

Algo a mais

  Depois que os povos indgenas entraram em contato com a sociedade no-indgena, alguns desses povos passaram a criar animais domsticos para o consumo da carne.
  Entre as principais criaes de animais realizadas pelos indgenas esto a de galinhas, patos, porcos e carneiros. Esses animais so criados soltos nas aldeias.
  Alguns povos indgenas tambm realizam a criao de gado bovino. Porm essas criaes so pequenas, devido  ausncia de pastagens adequadas nos lugares onde se localizam as aldeias.

<20>
<P>
Atividades

<R+>
 1. Os animais e vegetais apresentados a seguir fazem parte da alimentao de vrios povos indgenas que vivem no Brasil.
 Tucunar -- Milho -- Capivara
 Mandioca -- Tatu -- Caju
 Pacu -- Inhame -- Paca
 a) Copie os nomes desses animais e vegetais, separando-os em quatro grupos, de acordo com a maneira como so obtidos pelos povos indgenas.
 Caa -- Pesca -- Coleta -- Plantio
 b) Identifique os alimentos consumidos pelos povos indgenas que tambm fazem parte da sua alimentao.
<R->

<21>
<R+>
A natureza e os povos indgenas
<R->

  Os povos indgenas sempre tiveram uma relao muito prxima com a natureza.
  Leia o texto a seguir de um lder de uma comunidade Kaingang e conhea um pouco mais sobre esse assunto.

  [...] A terra  aquela que d alimento e gua, igual  me que oferece o alimento de seu corpo para o seu filho, enquanto que o branco pensa que a terra  um instrumento de gerar riqueza. [...] Ns somos frutos dessa humanidade que tem muito amor pela natureza, muito amor pela terra.

<R+>
 Egon Heck. *Povos indgenas*: terra  vida. So Paulo, 
   Atual, 1999.
<R->

<R+>
 a) De acordo com a opinio desse lder indgena, qual  a importncia da natureza para os seguintes grupos? Escreva a resposta.
  Indgenas -- Brancos
<P>
 b) Na sua opinio, o autor do texto est correto sobre a relao dos brancos com a natureza? Por qu? Converse com os colegas.
<R->

Algo a mais

  Alm dos alimentos, os povos indgenas tambm obtm na natureza remdios para a cura de doenas e madeiras e outros materiais para construir os objetos que utilizam no dia-a-dia. A natureza tambm  muito importante para a religiosidade desses povos.

<22>
O trabalho dos povos indgenas

  Vrios povos indgenas extraem da natureza a maior parte dos recursos de que necessitam no seu dia-a-dia. Para serem utilizados, esses recursos so transformados por meio do trabalho das pessoas que vivem na aldeia.
  Veja a seguir alguns recursos naturais utilizados pelos povos indgenas e os produtos que so confeccionados com eles. 
  As folhas de buriti e de outras palmeiras so utilizadas na fabricao de cestos, bolsas, esteiras, peneiras, abanos e na produo de roupas e mscaras de festas.

<R+>
 _`[Foto de mulher indgena trabalhando com palha, sentada numa rede_`]
 Legenda: Mulher Ianommi confeccionando cesto de palha, na aldeia Demini, no estado de Roraima, em 1991.
<R->

  Alm dessas utilidades, as folhas de buriti e de outras palmeiras so usadas pelos povos indgenas para cobrir as suas moradias.
<P>
<R+>
 _`[Foto de duas mulheres colocando o telhado da casa_`]
 Legenda: Indgenas Xavante cobrindo moradia com folhas de palmeiras, na aldeia Pimentel Barbosa, no estado de Mato Grosso, em 1992.
<R->

<23>
  A argila  utilizada pelos indgenas na fabricao de utenslios de cermica. Com ela, so fabricados, por exemplo, potes, panelas e gamelas, que servem principalmente para preparar e guardar os alimentos.
  Os dentes, as unhas, as penas e os ossos de alguns animais tambm so utilizados pelos povos indgenas. Com eles, so fabricados, por exemplo, colares, pulseiras e pontas de flechas.

<R+>
 _`[Cocar de penas coloridas_`]
 Legenda: Cocar de pena confeccionado pelos indgenas Caiap.
<R->

  Atualmente, grande parte dos povos indgenas tambm faz uso de objetos industrializados no seu dia-a-dia.
  Para adquiri-los, os indgenas comercializam os produtos que fabricam artesanalmente, com produtos extrados da natureza e, assim, obtm dinheiro para comprar outros produtos de que necessitam.

<R+>
 a) Voc j viu objetos indgenas confeccionados artesanalmente com produtos extrados da natureza? Em caso afirmativo, qual produto era esse e para que ele  utilizado? Escreva a resposta.
 b) Identifique quais so os materiais utilizados pela sociedade no-indgena na fabricao de alguns dos objetos citados. Comente com os colegas.
<R->

<24>
Colocando em prtica

  Agora que voc e os seus colegas conheceram algumas caractersticas do modo de vida dos povos indgenas que vivem no Brasil, vocs podem realizar uma das atividades praticadas por eles: a produo de objetos com argila.

<R+>
 Materiais necessrios
 -- argila mida
 -- potes de gua para molhar as mos e moldar a argila
 -- jornais velhos para forrar o lugar onde vocs vo trabalhar
 -- recursos encontrados na natureza para decorar os trabalhos, como folhas secas, flores, gravetos, palha, entre outros que vocs preferirem
<R->

<R+>
 1) Use a argila para moldar utenslios ou objetos decorativos, de acordo com a criatividade de vocs.
 2) Depois que o trabalho estiver pronto, deixe-o secar at que tenha uma cor clara. Ento, voc poder utiliz-lo.
<R->

<R+>
De olho na Biblioteca
<R->

  Que tal conhecer um pouco mais sobre os povos indgenas?
  Para isso, leia o livro *Pindorama*: terra das palmeiras. Nele voc vai aprender ainda mais sobre esses povos enquanto observa as belas ilustraes que acompanham os textos.

<R+>
*Pindorama*: terra das palmeiras, de Marilda Castanha. Belo Horizonte, Formato Editorial, 1999.
<R->

<25>
<R+>
Um acontecimento inesperado
<R->

  Voc conheceu algumas caractersticas dos povos indgenas que vivem no Brasil. Porm nem sempre eles viveram da maneira como conhecemos atualmente. Na histria desses povos, houve um acontecimento que provocou muitas transformaes no modo de vida deles.
  Leia o texto a seguir e conhea qual foi esse acontecimento.
  Era uma vez... Assim comeam as histrias, no ? Pois esta tambm comea assim: era uma vez, h muitos e muitos anos, uma terra cheia de palmeiras, to linda, to linda, que seus habitantes a chamavam de *Pindorama*, a Terra das Palmeiras.
  Coberta de matas, cortada por rios, com extenso litoral, a terra oferecia aos homens que ali moravam as condies necessrias para viver com seu trabalho, em harmonia com a natureza.
  Mas outros homens vieram, de terras distantes, e, ambiciosos, comearam a explorar a rica Pindorama, dela tirando tudo que podiam. [...]

<R+>
Marion Villas Boas. *Mistrios da Pindorama*. Rio de Janeiro, Biruta, 2000.
<R->
<P>
<R+>
 Relacione corretamente os elementos a seguir, de acordo com as informaes do texto. Escreva a resposta.
 1) Portugueses
 2) Indgenas
 3) Brasil
 Terra das Palmeiras 
 Habitantes da Terra das 
  Palmeiras 
 Homens que vieram de uma terra 
  distante
<R->

<26>
  No dia 22 de abril de 1500, os povos indgenas que viviam em nosso territrio tiveram uma grande surpresa. No lugar onde atualmente encontra-se a cidade de Porto Seguro, na Bahia, eles viram se aproximar da praia enormes embarcaes.
  Essas embarcaes vinham de Portugal e faziam parte de uma esquadra composta de 13 navios e cerca de 1200 homens, comandada por Pedro lvares Cabral.
  O encontro entre indgenas e portugueses provocou muita estranheza, pois eles tinham modos de vida muito diferentes uns dos outros.
  Os textos a seguir so trechos de cartas escritas por dois integrantes da esquadra de Cabral. Eles tratam da impresso dos europeus sobre os indgenas que viviam aqui. Leia-os.

<R+>
 A) [...] uma gente parda, bem disposta, com cabelos compridos; andavam todos nus sem vergonha alguma [...].
 [...] os homens, [...] tm os seus cabelos grandes e a barba pelada; as plpebras e sobrancelhas so pintadas de branco, negro, azul ou vermelho; [...] as mulheres andam igualmente 
<P>
  nuas, so bem feitas de corpo e trazem os cabelos compridos. [...]
<R->

<R+>
 Antnio Carlos Olivieri e 
  Marco Antonio Villa (org.). *Cronistas do descobrimento*. So Paulo, tica, 2002.
<R->

<R+>
 B) A feio deles  parda, algo avermelhada, de bons rostos e bons narizes. Em geral so bem-feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. No fazem o menor caso de cobrir ou mostrar suas vergonhas, e nisso so to inocentes como quando mostram o rosto. [...] Os cabelos deles so corredios. E andavam tosquiados, raspados por cima das orelhas. [...]
<R->

<R+>
 Antnio Carlos Olivieri e 
  Marco Antonio Villa. *Carta do achamento do Brasil*. So Paulo, Callis, 1999.
<R->
<P>
<R+>
 a) Na sua opinio, qual das caractersticas dos indgenas deve ter causado maior surpresa para os portugueses? Escreva a resposta no caderno.
 b) Utilize as informaes dos textos e diga como as pessoas que leram esses documentos imaginaram os povos indgenas.
<R->

<27>
  Como voc viu, os portugueses ficaram muito surpresos com o modo de vida dos povos indgenas que viviam em nosso territrio.
  Nos primeiros encontros entre esses povos, um dos aspectos que mais chamou a ateno dos portugueses foi a aparncia dos indgenas.
  Observe a descrio da reproduo da tela a seguir. Ela foi produzida pelo artista Oscar Pereira da Silva e representa o encontro entre indgenas e portugueses.
<P>
<R+>
_`[Um grupo de ndios, usando tangas e segurando flechas, observa a aproximao dos portugueses em um barco_`]
<R->

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  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

<R+>
 Oscar Pereira da Silva. 
  *Desembarque de Pedro lvares Cabral em Porto Seguro, 1500*. leo sobre tela, 190   333 cm, 1900.
<R->

<R+>
Leia as questes a seguir e anote as respostas.  
 a) Qual  o ttulo da tela retratada? 
 b) Em que ano ela foi produzida?
 c) Quantos anos se passaram entre o acontecimento representado e o ano de produo da tela?
 d) Descreva oralmente os elementos a seguir.
  Portugueses -- Indgenas
<P>
 e) Compare a representao dos indgenas feita na tela acima com as informaes dos textos A e B das pginas 29 a 30. De acordo com os textos, a representao dos indgenas feita na tela est correta? Por qu?
<R->

<28>
  Ao ler os textos, voc conheceu algumas impresses dos portugueses a respeito dos indgenas.
  Apesar de os povos indgenas no terem deixado registros escritos sobre a chegada dos portugueses, porque no utilizavam a escrita, alguns estudos sobre a cultura e o modo de vida dos indgenas permitem imaginar como foi a reao deles.
  O texto a seguir, produzido na atualidade, relata a chegada dos portugueses do ponto de vista de um indgena, como se ele tivesse participado desse acontecimento.

  Eu estava na areia da praia [...] quando chegaram *cabaas* gigantes, cortadas ao meio, flutuando no mar, arrastadas por enormes asas. [...]
  Das cabaas gigantes saram outras menores, sem asas, que vieram ter  praia. Dentro delas havia homens peludos que fediam muito. [...]
  Ajudamos os homens peludos, catando lenha, frutas, papagaios e enchendo barricas de gua. Deviam ser inimigos da gua, pois nunca entravam nela. [...]
  Tinham vrias camadas de pele, que iam tirando  medida que o Sol esquentava, e colocando de novo quando a Lua aparecia.
  Os ps eram de couro duro. Alguns traziam o peito e as costas cobertos por uma carapaa. Outros a traziam cobrindo a cabea e as 
<P>
orelhas.  medida que iam tirando as peles ou as carapaas, mais fediam. [...]

<R+>
 Ivan Jaf et al. *Jovens brasileiros*: uma aventura literria em 10 momentos da nossa Histria. So Paulo, tica, 2002.
<R->

<R+>
 a) No texto so usadas algumas expresses para se referir quilo que os indgenas desconheciam. Copie-as, relacionando cada uma dessas expresses ao seu significado.
 a) Cabaas gigantes, cortadas ao meio, flutuando no mar, arrastadas por enormes asas
 b) Vrias camadas de pele
 c) Ps de couro duro
 d) Carapaa
  Botas -- navios -- *armadura* -- roupas

 b) Na sua opinio, por que "os homens peludos fediam muito"? Converse com os colegas.
<R->

<29>
Na linha do tempo

  A esquadra de Cabral permaneceu durante alguns dias em nosso territrio, antes de seguir viagem em direo  ndia.
  Veja, na linha do tempo a seguir, alguns acontecimentos ocorridos durante a permanncia da esquadra de Cabral.

<R+>
 23 de abril --  feito o primeiro contato entre portugueses e indgenas.
 24 de abril -- A esquadra encontra um lugar apropriado para aportar as embarcaes, onde atualmente fica Porto Seguro, na Bahia.
 25 de abril -- Alguns portugueses vo at a praia. L encontram cerca de 200 indgenas e trocam alguns presentes.
 26 de abril -- Um frei que fazia parte da expedio reza a primeira missa, que  assistida por cerca de 60 indgenas.
<P>
 27 de abril -- Alguns portugueses visitam a aldeia dos indgenas.
 28 de abril -- Os portugueses cortam lenha e lavam roupa. Eles tambm constroem uma grande cruz.
 29 de abril -- Um navio de mantimentos, que seria mandado de volta para Portugal,  esvaziado.
 30 de abril -- Cabral e outros capites desembarcam na praia. Junto com uns 400 indgenas, eles passam o dia cantando e danando.
 1 de maio -- Para erguer a grande cruz de madeira, toda a tripulao deixa os navios e faz uma procisso.
 2 de maio -- A esquadra de Cabral parte para a ndia, deixando dois degredados e tambm dois *grumetes* que haviam desertado.
<R->
<P>
<R+>
 Leia as questes a seguir e anote as respostas.  
 a) Durante quantos dias a esquadra de Cabral ficou em nosso territrio?
 b) De acordo com as informaes da linha do tempo, como pode ser considerado o primeiro encontro entre indgenas e portugueses: pacfico ou hostil?
  Identifique no texto da linha do tempo os trechos que confirmam a sua resposta. Anote-os.
<R->

<30>
Algo a mais

  A viagem de Pedro lvares Cabral fez parte de uma srie de expedies martimas realizadas pelos portugueses e espanhis, principalmente nos sculos XV e XVI.
  As Grandes Navegaes, como ficaram conhecidas essas expedies, foram iniciadas pelos portugueses, que pretendiam encontrar um caminho martimo para a ndia. Se encontrassem esse caminho, eles poderiam obter grandes lucros trazendo de l artigos de luxo, como seda, porcelanas e, principalmente, especiarias, que tinham um alto valor comercial na Europa.
  O cravo, a canela, o gengibre e a pimenta-do-reino eram algumas das chamadas especiarias. Na poca das Grandes Navegaes, elas eram utilizadas principalmente para temperar e conservar os alimentos e tambm como remdio.

<R+>
 Leia as questes a seguir e anote as respostas.  
 a) Na sua opinio, por que as especiarias tinham alto valor comercial na poca das Grandes Navegaes?
 b) A sua famlia costuma utilizar alguns dos produtos que eram conhecidos como especiarias? Em caso afirmativo, como eles so utilizados?
<R->
<P>
  Em 1498, o navegador portugus Vasco da Gama conseguiu chegar  ndia percorrendo um caminho martimo. Naquele mesmo ano, ele retornou para Portugal com os seus navios carregados de especiarias e de artigos de luxo.
  Por causa do sucesso da expedio de Vasco da Gama, o governo portugus organizou uma nova expedio com destino  ndia, comandada por Pedro lvares Cabral, em 1500.
<31>
  Observe a descrio do mapa a seguir. Ele representa as rotas percorridas pela esquadra de Vasco da Gama e pela de Pedro lvares Cabral.

Rota das expedies de Vasco 
  da Gama e de Pedro lvares 
  Cabral

<R+>
_`[Expedio de Vasco da Gama: Lisboa :o Moambique :o 
  Melinde :o Calicute 
  Expedio de Pedro lvares Cabral:
  Lisboa :o Porto seguro :o
  Moambique :o Melinde :o 
  Calicute_`]
<R->

<F->
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  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

<R+>
Fonte de pesquisa: *Saga*: a grande histria do Brasil. So Paulo, Abril Cultural, 1981.
<R->

<R+>
 a) Qual  o lugar de origem das duas expedies?
 b) Qual  o lugar de destino das duas expedies?
 c) Qual  a principal diferena entre as duas rotas percorridas?
<R->

  Alguns estudos tratam sobre os possveis motivos do desvio na rota percorrida por Pedro lvares Cabral. Leia o texto a seguir, que trata desse assunto.

  [...] Desde o sculo XIX, vem-se discutindo se a chegada dos portugueses ao Brasil foi obra do acaso, sendo produzida pelas correntes martimas, ou se j havia conhecimento anterior do *Novo Mundo* e uma espcie de misso secreta para que Cabral tomasse o rumo do ocidente. Tudo indica que a expedio de Cabral se destinava efetivamente s ndias. Isso no elimina a probabilidade de navegantes europeus, sobretudo portugueses, terem freqentado a costa do Brasil antes de 1500.

<R+>
 Boris Fausto. *Histria Concisa do Brasil*. So Paulo, 
  Edusp, Imprensa Oficial do Estado, 2002.
<R->

<R+>
 De acordo com o texto, quais so as possveis explicaes para a chegada de Cabral ao atual territrio brasileiro? Comente com os colegas.
<R->

<32>
<P>
Comea a explorao do territrio

  Depois da vinda de Cabral, o governo portugus enviou novas expedies para fazer o reconhecimento do territrio e, principalmente, para procurar riquezas.
  O primeiro produto que chamou a ateno dos portugueses foi o pau-brasil, uma rvore da qual se extraa uma tinta vermelha utilizada para tingir tecidos. Como esse corante era muito valorizado na Europa, os portugueses decidiram, ento, iniciar a explorao do pau-brasil em nosso territrio.
  Observe a descrio da imagem a seguir. Ela representa o trabalho de corte das rvores de pau-brasil e de embarque das toras nos navios portugueses.
<P>
<R+>
_`[Homens nus cortando rvores com machados e carregando os troncos cortados_`]
 Legenda: Gravura produzida pelo artista francs *Andr 
  Thevet*, em 1575.
<R->

<R+>
 Leia as questes a seguir e anote as respostas.  
 a) De acordo com a descrio da imagem, quem trabalhava no corte das rvores de pau-brasil: indgenas ou portugueses?
 b) Quais so as pistas que voc observou para identificar quem eram as pessoas que trabalhavam no corte das rvores de pau-brasil?
<R->

<33>
  Para realizar o corte do pau-brasil e o embarque das toras nos navios, os portugueses contaram com o trabalho dos indgenas. Mas os indgenas, ao colaborar com os portugueses, tambm tinham os seus interesses.
  O texto a seguir trata desse assunto. Leia-o.
  [...] Os portugueses cobiaram o pau-brasil, uma madeira vermelha abundante no litoral brasileiro, usada para tingir tecidos. Os ndios desejaram alguns objetos teis a eles. Estabeleceu-se, ento, a troca: os nativos cortavam e transportavam o pau-brasil at os barcos europeus. E recebiam em troca machados, ps, foices, facas, espelhos. Esse tipo de troca, em que no se usa dinheiro,  chamado de escambo.

<R+>
 Alfredo Boulos Jnior. *Os 
  indgenas antes e depois de Cabral*. So Paulo, FTD, 2000.
<R->

<R+>
Leia as questes a seguir e anote as respostas.  
 a) De acordo com o texto, por que os indgenas passaram a realizar o trabalho de cortar o pau-brasil e transport-lo at os navios europeus?
<P>
 b) O que os indgenas recebiam em troca pelo trabalho realizado?
 c) Qual  o nome desse tipo de comrcio?
 d) Na sua opinio, por que os indgenas tinham tanto interesse nos produtos que recebiam dos portugueses?
<R->

Algo a mais

  Ao realizar a explorao do pau-brasil em nosso territrio, os portugueses deram incio  devastao da Mata Atlntica, que cobria a faixa litornea de nosso territrio.
  Alm deles, outros povos como os ingleses, franceses, espanhis e holandeses tambm participaram dessa explorao.
  Atualmente, acredita-se que sobraram apenas 7% da floresta original da Mata Atlntica, devido a diversas atividades relacionadas  ocupao de suas reas 
<P>
e  explorao comercial de suas riquezas.

<34>
O incio da colonizao

  Nos primeiros 30 anos aps a chegada ao nosso territrio, os portugueses dedicaram-se, principalmente,  explorao do pau-brasil.
  No entanto, outros navegantes europeus, principalmente franceses, tambm comearam a explorar o pau-brasil e a instalar *feitorias* no litoral.
  Com receio de perder estas terras e para garantir a sua posse, o governo portugus decidiu iniciar a colonizao, isto , o povoamento e a produo agrcola no territrio.
  Os portugueses comearam, ento, a cultivar cana-de-acar e produzir o acar com o objetivo de vend-lo na Europa. Naquela poca, a produo mundial do acar era muito pequena e esse produto era muito caro.
  A fundao da vila de So Vicente, no ano de 1532, marcou o incio da colonizao do territrio.
  Em 1534, o governo portugus decidiu ampliar a colonizao e dividiu o territrio em 15 grandes lotes de terra, denominados *capitanias hereditrias*. Essas capitanias foram doadas a nobres e comerciantes portugueses, para que eles colonizassem o territrio com os seus prprios recursos.
<35>
  Com o incio da colonizao e do cultivo da cana-de-acar, os portugueses passaram a necessitar de um nmero maior de trabalhadores. As atividades relacionadas ao cultivo da cana eram penosas e faltava mo-de-obra. Essa situao provocou uma mudana na relao entre indgenas e portugueses.
  Observe a descrio da imagem a seguir. Ela trata da mudana na relao entre esses dois povos.
<P>
<R+>
_`[Uma famlia de indgenas amarrada e escoltada por homens armados_`]
 Legenda: Gravura produzida pelo artista francs Jean-Baptiste Debret, no incio do sculo XIX.
<R->

<R+>
Leia as questes a seguir e anote as respostas.  
 a) O que est sendo retratado na imagem acima?
 b) Como era a relao entre indgenas e portugueses antes do incio do cultivo da cana-de-acar?
 c) De acordo com a imagem, como ficou a relao entre indgenas e portugueses depois do incio do cultivo da cana-de-acar?
<R->

Trocando idias

  Os indgenas foram os primeiros a serem escravizados em nosso territrio. A escravizao de pessoas tambm ocorreu em outros momentos da histria do nosso pas. Voc estudar esse assunto no prximo captulo.

<R+>
 Qual  a sua opinio sobre a escravizao de pessoas? Comente com os colegas.
<R->

<36>
As lutas dos povos indgenas

  Depois que os povos indgenas perceberam quais eram as verdadeiras intenes dos europeus, eles lutaram de diversas maneiras na tentativa de resistir  ocupao das suas terras.
  Para isso, muitos deles enfrentaram os europeus por meio de revoltas individuais ou coletivas, de fugas para o interior do territrio e ataques s capitanias.
  Observe a descrio da imagem a seguir, que representa uma das formas de resistncia praticada pelos povos indgenas.
<P>
<R+>
_`[Homens nus se defendem, com arco e flecha, das armas de fogo dos europeus_`]
 Legenda: Gravura produzida pelo artista *Theodore de Bry*, baseada no relato do viajante alemo *Hans Staden*, que esteve no territrio que hoje corresponde ao Brasil por volta de 1550.
<R->

<R+>
Leia as questes a seguir e anote as respostas.
 a) De acordo com a descrio da imagem, qual  a forma de resistncia adotada pelos indgenas?
 b) Quais eram as armas utilizadas pelos europeus? E pelos indgenas?
 c) Na sua opinio, quem tinha melhores condies de vencer a luta? Por qu? Comente com os colegas.
<R->
  
<37>
  O contato com a sociedade no-indgena trouxe muitos prejuzos aos diversos povos indgenas que viviam em nosso territrio e s suas culturas. Alm de escravizados, muitos deles morreram contaminados por doenas trazidas pelos europeus, s quais os indgenas no tinham defesas naturais.
  Apesar das dificuldades, at os dias de hoje, os indgenas continuam lutando e resistindo para preservar a sua cultura e as suas terras. Muitos deles tm se organizado e conseguido obter conquistas importantes. Entre essas conquistas, destaca-se a incluso dos seus direitos na Constituio Federal.
  A partir da Constituio de 1988, os povos indgenas foram reconhecidos como povos culturalmente diferentes entre si e da sociedade brasileira, com o direito de manter a sua lngua, cultura e tradies.

<R+>
 a) Identifique dois motivos pelos quais os povos indgenas vm lutando desde a chegada dos portugueses ao nosso territrio.
 b) Voc j viu alguma reportagem sobre a luta dos povos indgenas na atualidade? Em caso afirmativo, qual era o motivo da luta deles? Converse com os colegas.
<R->

Colocando em prtica

  Neste captulo, voc conheceu um pouco da histria dos povos indgenas do nosso territrio.
  Agora, com os colegas e com o auxlio do professor, conversem sobre as informaes que vocs estudaram. Depois, produza um texto utilizando essas informaes. Inclua nele os assuntos que vocs acharam mais interessantes e, se possvel, a sua opinio sobre esse assunto.
  No se esquea de ilustrar seu texto.

<38>
Heranas culturais

  A populao brasileira foi formada a partir da mistura de culturas de diversos povos que vieram para o nosso territrio em pocas diferentes.
  Os povos indgenas, por exemplo, que j viviam em nosso territrio antes da chegada dos portugueses, tiveram grande participao na formao da nossa cultura. Conhea a seguir algumas dessas contribuies.
  Alguns alimentos que faziam parte da alimentao dos povos indgenas passaram a fazer parte da culinria brasileira, como a mandioca, o milho e a batata-doce.
  O hbito de dormir e descansar em redes  um costume herdado dos indgenas e est presente em grande parte das moradias de vrias regies do Brasil.
  Os povos indgenas tinham o hbito de tomar banho diariamente. Atualmente, esse costume faz parte do cotidiano da maioria dos brasileiros.
  Algumas tcnicas utilizadas na produo artesanal de cermica e de cestos, por exemplo, tambm foram aprendidas com os povos indgenas.
<39>
  Assim como os indgenas, os portugueses tambm deram importantes contribuies para a formao da cultura do povo brasileiro. Veja alguns exemplos.
  As casas com fachadas estreitas, construdas rentes  calada, com jardim nos fundos, janelas com trelias e acabamento em azulejos so alguns exemplos da influncia portuguesa na arquitetura das casas em algumas regies do Brasil.
  Foi tambm dos portugueses que herdamos as comemoraes religiosas, como o Natal e a Pscoa, e as festas populares, como o Carnaval e as festas juninas de Santo Antnio, So Joo e So Pedro.
  Uma das principais contribuies dos portugueses para a cultura do nosso pas foi a lngua portuguesa, que se tornou o idioma oficial do Brasil.

Trocando idias

<R+>
 a) Quais das contribuies deixadas pelos indgenas e pelos 
portugueses esto presentes no seu dia-a-dia?
 b) Voc acha que essas contribuies foram importantes? Por qu?
<R->

               oooooooooooo

<40>
<P>
Captulo 2

Africanos no Brasil

  Antes da chegada dos portugueses, o territrio onde atualmente se encontra o Brasil j era habitado por diversos povos indgenas. Quando teve incio a colonizao, muitos portugueses vieram para c, ocuparam as terras dos indgenas e escravizaram muitos deles.
  Depois, por volta do ano de 1550, os portugueses comearam a trazer outras pessoas para trabalhar em nosso territrio como escravos.
  As imagens a seguir retratam algumas dessas pessoas. 
<P>
<R+>
A --
 _`[Um grupo de homens negros trabalham no transporte e na moagem da cana_`]
 Legenda: Pintura produzida pelo artista brasileiro Benedito Calixto representando a moagem da cana em um engenho.

B --
 _`[Um grupo de homens negros sem camisa trabalham sentados na beira de um rio, com os ps dentro da gua_`]
 Legenda: Gravura feita pelo artista Johann Baptist von 
  Spix, por volta de 1825, representando o trabalho de minerao de diamante.

<41>
<P>
C --
 _`[Um grupo de homens negros carregam cestos com caf, enquando outros espalham os gros pelo cho para a secagem_`]
 Legenda: Gravura produzida no sculo XIX, por Johann 
  Moritz Rugendas, representando a colheita de caf.

D -- 
 _`[Um grupo de homens negors carregam um tonel_`]
 Legenda: Gravura feita pelo artista francs Jean-Baptiste Debret, no sculo XIX, representando algumas pessoas carregando um tonel.
<R->

<R+>
 Leia as questes a seguir e anote as respostas.
 a) Qual  a origem das pessoas que esto realizando os trabalhos nas imagens apresentadas, ou seja, de onde elas foram trazidas?
<P>
 b) Descreva as atividades que esto sendo realizadas pelas pessoas retratadas em cada uma das imagens.
<R->

<42>
As sociedades africanas

  No incio do sculo XV, quando os europeus chegaram  frica, esse continente tinha uma grande populao formada por diferentes *grupos tnicos*, que estavam distribudos por todo o continente africano.
  O texto a seguir trata da organizao dos povos africanos. Leia-o.

  [...] O continente africano abrigava inmeras aldeias e tambm pases organizados, com reis, exrcitos, impostos, legislao etc. [...]
  Embora em pequena escala, a escravido j estava presente antes da chegada dos europeus  frica. Os escravos eram capturados nas guerras e levados  aldeia vitoriosa, onde passavam a fazer parte das famlias, com a diferena que trabalhavam mais que os outros membros da casa. Em algumas sociedades, os escravos trabalhavam na produo agrcola das propriedades do rei e dos ricos e, na quarta gerao, seus descendentes nasciam livres.

<R+>
Csar Coll e Ana Teberosky. *Aprendendo Histria e Geografia*: Contedos essenciais para o Ensino Fundamental de 1a. a 4a. srie. So Paulo, tica, 2000.
<R->

<R+>
Leia as questes a seguir e anote as respostas.
 a) Nas sociedades africanas, como uma pessoa podia se tornar escrava?
 b) Como viviam os escravos no modo de vida tradicional africano?
<R->
<P>
<R+>
_`[Ilustrao descrita por sua legenda_`]
 Legenda: Ilustrao baseada em um alto-relevo de bronze, produzido por volta do sculo XIII pelos artesos do reino de 
  Benin, na frica. Ela representa um rei acompanhado por seus guerreiros e escravos.
<R->

<43>
  Observe a descrio do mapa a seguir. Ele representa a distribuio dos principais reinos africanos na poca da chegada dos europeus  frica.

<R+>
_`[Contedo do mapa, a seguir_`]
 Reinos africanos no sculo XV: Mali, Songai, Akan, Oyo, Benin, Nupe, Estados Hauas, Kwararafa, Kanem-Borno, 
  Wandai, Darfur, Imprio
<P>
  Funj, Etipia, Adal, Congo, Zimbbue 
<R->

<R+>
 Fonte de pesquisa: *Atlas da Histria do Mundo*. So 
  Paulo, Folha de S. Paulo, 1995.
<R->

<R+>
 Destaque alguns reinos africanos existentes naquela poca.  
<R->

Algo a mais

  No sculo XV, havia uma grande diversidade cultural entre os grupos tnicos que habitavam o continente africano. Cada grupo tinha os seus prprios costumes, a sua lngua e o seu modo de vida. Entre esses grupos, havia aqueles que praticavam a agricultura e outros que se dedicavam ao comrcio. Alm disso, havia grupos que dominavam vrias tcnicas de artesanato e produziam artefatos com materiais como couro, argila e ferro.

<44>
O comrcio de pessoas

  Quando os portugueses comearam a colonizar o territrio brasileiro, a partir de 1532, eles tinham como principal objetivo cultivar canaviais e produzir acar para vender na Europa.
  Inicialmente, os trabalhos nas lavouras de cana e nos engenhos foram realizados por indgenas escravizados. Porm, em meados do sculo XVI, os portugueses passaram a trazer africanos para trabalhar como escravos no Brasil.
  O texto a seguir trata do aprisionamento e comrcio de pessoas na frica. Leia-o.

  Na fase inicial do comrcio de escravos, tornavam-se cativos os homens que, nas aldeias, haviam cometido delitos, contrado dvidas ou os que foram derrotados nas guerras tribais, sendo ento recrutados pelos portugueses. A partir do sculo XVII, entretanto, atrados pelo lucrativo trfico negreiro, muitos reinos africanos, como Sego, Oio, Benin, Daom, passaram a organizar expedies militares de captura de escravos. [...]
  Os principais agentes do trfico de cativos na frica eram chamados de pombeiros: portugueses brancos, mulatos, negros livres ou escravos de confiana eram encarregados de levar os escravos do interior da frica para a costa, a fim de serem comercializados pelos portugueses. [...]

<R+>
Glria Porto Kok. *A escravido no Brasil colonial*. So Paulo, Saraiva, 1997.
<R->

<R+>
Leia as questes a seguir e anote as respostas.  
 a) De acordo com o texto, na fase inicial do comrcio de escravos, em quais situaes os homens podiam tornar-se cativos?
 b) O que alguns reinos africanos passaram a fazer, atrados pelo lucrativo trfico negreiro?
 c) Identifique no texto o trecho que identifica quem eram os principais agentes do trfico de escravos na frica.
<R->

<45>
  Depois que eram capturados, os africanos percorriam um longo percurso at chegarem ao seu lugar de destino no Brasil.

<R+>
 Leia os textos a seguir, que descrevem algumas etapas pelas quais os africanos passavam quando eram escravizados. Depois, associe os textos a cada uma das imagens descritas abaixo, escrevendo a letra correspondente.
<R->

<R+>
 A) Os pombeiros organizavam expedies para levar os escravos do interior da frica at as feitorias localizadas no litoral africano.
 B) Nas feitorias africanas, os pombeiros vendiam os escravos para traficantes, que os embarcavam em navios com destino ao Brasil.
 C) Nos navios, os escravos viajavam amontoados em pores sujos e malventilados. Muitos morriam durante a viagem.
 D) Ao chegar ao Brasil, os africanos eram levados aos mercados de escravos, onde eram vendidos, principalmente, aos senhores-de-engenho.
<R->

<R+>
_`[1 -- Grupo de escravos, homens e crianas, amarrados e conduzidos por homens armados;
 2 -- Grupo de africanos, homens, mulheres e crianas num mercado de escravos;
 3 -- Dois homens, um africano e outro europeu negociando;
 4 -- Grupo de africanos no poro de um naviio_`]
<R->

<46>
<P>
O dia-a-dia nos engenhos

  At o incio do sculo XVIII, a maioria dos africanos que chegaram ao Brasil foram levados para trabalhar nos engenhos.
  Engenho era o nome dado  propriedade rural onde eram cultivados canaviais e produzido o acar. Em um engenho havia dois grupos principais de moradores: os escravos, que moravam nas senzalas, e o senhor-de-engenho e a sua famlia, que moravam na casa-grande.
  A senzala geralmente era construda prxima  casa-grande, pois, dessa forma, os senhores podiam controlar melhor os escravos. Em geral, ela era uma construo comprida, feita de pau-a-pique, com algumas divises internas que separavam os homens das mulheres e das crianas.
  Em alguns engenhos, havia moradias que eram destinadas exclusivamente a casais de escravos. O 
<P>
texto abaixo trata desse assunto. Leia-o.

  [...] em algumas fazendas, onde os solteiros habitavam barraces ou cubculos em pavilhes, os casais moravam no apenas em construes separadas, mas provavelmente em barracos ou cabanas individuais. [...]

<R+>
Robert W. Slenes. *Na senzala, uma flor*: esperanas e recordaes na formao da famlia escrava, Brasil Sudeste, sculo XIX. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999.
<R->

<R+>
 Nos engenhos, era comum as famlias escravas viverem cada uma na sua moradia? Comente com os colegas.
<R->

<47>
  Apesar das dificuldades em que viviam, havia escravos que conseguiam formar famlia. No entanto, devido  sua condio de escravos, os casais podiam ser separados a qualquer momento. Os filhos tam-
 bm podiam ser tomados dos seus pais e vendidos para outros senhores.
  Nas senzalas, a moblia e os utenslios eram escassos e limitavam-se a algumas esteiras para dormir, cobertores e potes de barro. Em algumas senzalas havia foges simples, que os escravos utilizavam para preparar alimentos que eles prprios cultivavam ou que recebiam do seu senhor.
  Basicamente, a alimentao dos escravos era composta de feijo e farinha de mandioca e, em alguns casos, de sobras de carne ou de outros alimentos. Alm disso, eles podiam consumir animais caados na mata. O vesturio desses escravos era bastante simples. Eles usavam peas rsticas feitas de algodo e, algumas vezes, chapus de palha para se proteger do sol.
  Ainda que contrariando a vontade dos senhores, os escravos procuravam manter as suas razes culturais trazidas da frica, por meio de rituais religiosos ou danas, como os *batuques* e a *capoeira*.
  Observe a descrio da imagem abaixo. Ela representa escravos praticando capoeira.

<R+>
_`[Grupo de escravos, homens e mulheres, numa roda de capoeira_`]
 Legenda: Gravura feita por Johann Moritz Rugendas, por volta de 1828, representando escravos praticando capoeira.
<R->

<R+>
 Voc j viu pessoas praticando a capoeira? Em caso afirmativo, conte para os colegas como ela  praticada, como  a msica, os instrumentos musicais e os movimentos dos capoeiristas.
<R->

<48>
  Na casa-grande moravam o senhor-de-engenho, a sua famlia e, geralmente, os *agregados*. Essas casas podiam ter um ou dois andares, possuam sacadas e muitos quartos e salas. Elas eram amplas e arejadas, construdas com cal, barro, madeira e pedra.

<R+>
_`[Ilustrao descrita por sua legenda_`]
 Legenda: Imagem produzida por Victor Frond, por volta do ano de 1859, retratando a casa-
  -grande da Fazenda do Secretrio, localizada no municpio de Vassouras, no atual estado do Rio de Janeiro.
<R->

  Era na casa-grande que o senhor-de-engenho recebia visitantes para discutir assuntos polticos, jogar baralho, servir jantares. A alimentao variava nas casas dos senhores-de-engenho. Na maioria delas, eram consumidos feijo, farinha de mandioca, peixes e carnes em conserva, frutas, leite, bolos e doces. Havia alimentos que s eram servidos em ocasies especiais, como carnes frescas e legumes.
  A quantidade de moblia dependia das posses dos senhores. Em algumas casas havia apenas os objetos essenciais, como louas, bas, mesas, cadeiras e camas. J nos engenhos mais ricos havia muitos mveis, utenslios e objetos de decorao, como armrios, tapetes, cortinas, colchas de seda e talheres de prata.
  Em geral, o vesturio dos homens era composto de camisa, cala, botas de couro e chapu; as mulheres usavam vestido longo, manto e sapatos baixos. As famlias mais ricas tinham as suas roupas confeccionadas com tecidos finos trazidos da Europa e possuam jias e enfeites.
<49>
  Os agregados e toda a famlia deviam ao senhor-de-engenho obedincia e respeito. A mulher do senhor-de-engenho era responsvel pela educao dos filhos e passava grande parte do tempo fazendo trabalhos manuais. O filho mais velho deveria aprender a administrar o engenho, e os demais filhos deveriam estudar para se tornar advogados, mdicos ou seguir carreira religiosa. As filhas aprendiam com a me os trabalhos manuais e se casavam cedo, sendo muitas vezes obrigadas a casar com homens que elas nem conheciam para satisfazer a vontade do pai.
  Tambm viviam na casa-grande os escravos domsticos. Eles eram responsveis por tarefas como cozinhar, lavar e cuidar dos filhos dos senhores, e, tambm, recolher os dejetos da casa e jog-los na mata ou em algum rio prximo. Podiam vestir-se com roupas feitas de bons tecidos e, por acompanharem as suas senhoras, algumas escravas usavam vestidos de tecidos caros e podiam at mesmo usar jias.
  Observe a descrio da imagem abaixo. Ela  a reproduo de uma gravura feita por *Johann Moritz Rugendas*, por volta de 1823, e representa uma senzala e uma casa-grande ao fundo.
<R+>
_`[Uma senhora observa, da sacada da casa-grande, a senzala e um grupo de escravos vestidos com roupas rsticas. Um dos escravos tece uma esteira, outro, acompanhado por uma criana, carrega na cabea um pote de barro, outro, ainda, acende o cachimbo com uma tocha trazida do interior da senzala. No terreno prximo  senzala v-se pequena plantao_`]
<R->

<R+>
 Nesta descrio podem ser encontrados alguns elementos que foram apresentados no texto o dia-a-dia dos engenhos. Identifique esses elementos e descreva-os.
<R->

<F->
==================================
  pea orientao ao professor  y
gggggggggggggggggggggggggggggggggg
<F+>

<50>
<P>
O trabalho nos engenhos

  Nos engenhos, os africanos escravizados realizavam a maior parte dos trabalhos.
  Observe a descrio da ilustrao a seguir. Ela representa um engenho.

<R+>
_`[Desenho dos elementos que 
  faziam parte de um engenho
 1 -- Capela
 2 -- Senzala
 3 -- Canavial
 4 -- Casa-grande
 5 -- Casa de engenho
 6 -- Mata_`]
<R->

<R+>
  Observe agora alguns trabalhos executados pelos escravos.
<R->

<F->
<R+>
 Colher cana
 Carregar a cana nos ombros
 Conduzir o carro de bois 
  carregado de cana
 Moer a cana
<P>
 Derrubar rvores
 Cortar lenha
 Colocar lenha na fornalha
<R->
<F+>

<51>
Algo a mais

  No incio da colonizao do nosso territrio, engenho era o nome dado  casa de engenho, que era o lugar onde se fabricava o acar. Depois, o nome engenho passou a designar toda a propriedade rural aucareira.
  Alm da casa de engenho, faziam parte do engenho: a casa-grande, que era a casa do senhor-de-engenho; a senzala, onde moravam os escravos; a capela, onde eram realizadas as cerimnias religiosas. Tambm faziam parte do engenho os canaviais e as matas, de onde era retirada a lenha.
<P>
<R+>
 Identifique na descrio da imagem e copie o nmero e o nome dos elementos citados no texto que faziam parte de um engenho. Veja o exemplo: 1 -- Capela.
<R->

<52>
Atividades

<R+>
 1. Em um engenho, geralmente, cada pessoa realizava um tipo de atividade e tinha um papel bem definido. Nas imagens, esto representadas algumas dessas pessoas, e nos quadros abaixo, a descrio de cada uma delas. Associe cada uma  descrio correta e anote a resposta. Veja um exemplo: A -- 6.
<R->
<F->
A) Escrava domstica
B) Mestre-de-acar
C) Feitor
D) Escravo ladino
E) Senhor-de-engenho
F) Escravo novo
<F+>
<P>
<R+>
 1) Era o dono do engenho e a sua famlia e os agregados lhe deviam obedincia. Ele comandava os trabalhadores livres do engenho e at os homens livres e pobres que viviam nas redondezas.
 2) Trabalhador livre e assalariado; era quem fiscalizava e controlava o trabalho dos escravos, geralmente utilizando mtodos violentos.
 3) Um dos trabalhadores assalariados mais bem pagos, era o responsvel pelo controle de todas as etapas da produo do acar.
 4) Recm-trazido da frica, ainda no falava a lngua portuguesa. Geralmente realizava os trabalhos mais pesados, como a colheita e o transporte da cana e a derrubada de rvores para fazer lenha.
 5) Escravo que j sabia falar portugus. Muitos deles trabalhavam na casa de engenho, realizando tarefas como moer a cana, cozinhar o melao e encaixotar o acar.
 6) Trabalhava na casa-grande, realizando diversas tarefas, como lavar roupas, cozinhar, limpar a casa e cuidar dos filhos dos seus senhores.
<R->

<53>
A escravido nas minas

  Os africanos no trabalharam como escravos somente nos engenhos. Durante mais de 300 anos eles foram a principal mo-de-
 -obra na realizao dos mais diversos tipos de trabalho em nosso territrio.
  A minerao foi uma das atividades que mais utilizou mo-de-
 -obra escrava africana. O trabalho dos africanos na minerao teve incio por volta de 1700, pouco depois que os bandeirantes descobriram jazidas de ouro na regio onde atualmente se encontra o estado de Minas Gerais.
  A descoberta do ouro provocou um grande deslocamento de pessoas em direo ao interior do territrio. A possibilidade de enriquecer rapidamente fez com que muitas pessoas de todas as regies do Brasil, e tambm de Portugal, abandonassem os lugares onde viviam e se dirigissem para a regio das minas.
  Um grande nmero de escravos, de vrias partes do Brasil, foi levado para trabalhar nas minas. Muitos outros tambm foram trazidos da frica e levados para l.
  Observe a descrio da imagem a seguir.

<R+>
_`[Imagem descrita por sua legenda_`]
 Legenda: Aquarela produzida pelo pintor austraco Thomas Ende, em 1817, representando um grupo de escravos sendo levado para o interior do territrio.
<R->

<54>
  Grande parte dos escravos que foi levada para a regio das minas foi obrigada a trabalhar na extrao de ouro e de diamante.

<R+>
_`[Gravura mostrando um grupo de escravos. Uns curvados, com as pernas dentro do rio, outros cavando a encosta do morro_`]
 Legenda: Gravura produzida por Johann Moritz Rugendas, por volta de 1824, retratando o trabalho de escravos em uma mina de ouro.
<R->

  Leia o texto a seguir, que trata das condies de vida e das atividades realizadas pelos escravos que trabalhavam na minerao.

  O dia-a-dia do escravo mineiro era particularmente difcil.
  Ele trabalhava em p, com as costas curvadas, durante muitas horas por dia, em lugares frios, enfiado na gua at a altura dos joelhos ou da cintura, ou em tneis cavados nas encostas dos morros, onde muitas vezes ocorriam desabamentos. Muitos morriam soterrados. Na poca da seca, o escravo trabalhava mais, pois sem as chuvas o trabalho rendia.
  A batia e o almocafre eram os dois principais instrumentos usados na minerao. O almocafre era uma enxada pequena e pontiaguda usada para remover o cascalho do leito dos rios e das encostas. A batia era uma espcie de prato grande, em forma de chapu chins. O trabalhador girava a batia e, por meio de movimentos circulares, ia separando o cascalho do ouro. No fundo da batia sobrava o ouro em p ou em pepitas.
  [...]

<R+>
 Alfredo Boulos Jnior. *A Capitania do ouro e sua gente*. So Paulo, FTD, 2000.
<R->
<P>
<R+>
 Compare as informaes do texto com a descrio da imagem acima e identifique nela algumas dificuldades enfrentadas pelos trabalhadores escravos nas minas. Escreva a resposta.
<R->

<55>
  Apesar de as condies de vida dos escravos que trabalhavam nas minas serem muito difceis, eles tinham maiores chances de conseguir a liberdade do que os escravos que trabalhavam nos engenhos. Os escravos das minas podiam, por exemplo, garimpar nas horas de folga e juntar ouro para comprar a sua *alforria*.
  Na regio das minas, vrios ex-escravos enriqueceram e conquistaram uma situao privilegiada na sociedade mineira. Esse foi o caso de Chico Rei, escravo mineiro que havia sido aprisionado na frica e trazido para o Brasil junto com toda a sua famlia.
  O texto a seguir trata da histria de Chico Rei. Leia-o.

  [...] primeiro, ele conseguiu comprar sua alforria, bem como a de seu filho. Depois, ambos trabalharam e conseguiram forrear um outro escravo, e assim foram agindo, at libertar toda a sua gente.
  Chico Rei chegou a ser patrono da Igreja de Santa Ifignia, no Alto da Cruz. [...]

<R+>
 Andra Lisly Gonalves e Iris Kantor. *O trabalho em Minas colonial*. So Paulo, Atual, 1996.
<R->

Algo a mais

  Uma outra atividade em que houve grande utilizao de mo-de-
 -obra de escravos africanos foi a cafeicultura.
  No incio do sculo XIX, o consumo do caf estava aumentando muito nos pases europeus e nos Estados Unidos. Muitos fazendeiros brasileiros passaram a cultivar caf, principalmente nas provncias de So Paulo e Rio de Janeiro, para vender a esses pases.
  Para trabalhar nos cafezais, os fazendeiros trouxeram escravos de vrios lugares. At 1850, ano em que o trfico de africanos foi proibido, muitos escravos foram trazidos diretamente da frica. Porm, grande parte dos escravos que trabalhava nas fazendas de caf foi trazida dos engenhos de acar nordestinos e da regio das Minas Gerais.

<56>
Escravos nas cidades

  A maioria dos escravos africanos trazida para o Brasil vivia no campo, trabalhando nas lavouras de cana-de-acar, nos cafezais, nas minas e em outras atividades rurais.
  Porm, nas cidades, tambm havia a utilizao da mo-de-obra escrava em diversas atividades.
  O texto a seguir descreve algumas dessas atividades. Leia-o.
  Nas cidades, os escravos podiam trabalhar como artesos, escravos domsticos ou escravos de servios urbanos.
  Os escravos artesos exerciam ofcios de carpinteiros, pedreiros, alfaiates, sapateiros, barbeiros, cabeleireiros, ferreiros, entre outros.
  Os escravos domsticos eram responsveis pelo funcionamento da residncia do senhor. Trabalhavam como porteiros, cocheiros, cozinheiros, copeiros, lavadeiras, engomadores, pajens, mucamas, coletores de lixo e de esgoto, carregadores e outros.
  Os escravos de servios urbanos passavam o dia na rua alugando os seus servios, e eram responsveis sobretudo pelo transporte de mercadorias e de passageiros. Entre os escravos de servios urbanos havia tambm os escravos vendedores ambulantes, que circulavam pelas ruas vendendo vasilhames, cestos, doces, gua, leite, po, caf, galinha, milho, alho, cebola, lenha etc. Apesar de serem obrigados a entregar a maior parte do que ganhavam aos seus senhores, esses escravos eram os que tinham maior possibilidade de conseguir alforria.

<R+>
 Fonte de Pesquisa: Glria 
  Porto Kok. *A escravido no Brasil colonial*. So Paulo, Saraiva, 1997.
<R->

<R+>
Leia as questes a seguir e anote as respostas.
 a) Quais eram alguns dos ofcios exercidos pelos escravos que viviam nas cidades?
 b) Na sua opinio, por que os escravos de servios urbanos eram os que tinham maior possibilidade de conseguir alforria?
<R->

<57>
<P>
Atividades

<R+>
1. Observe a descrio das imagens a seguir. Elas representam escravos realizando algumas das atividades descritas no texto Escravos nas cidades.
<R->
<R+>
A --
 _`[Escravos servindo uma refeio_`]
 Legenda: Jean-Baptiste Debret. *Um jantar brasileiro*. Gravura, 15,9  21,9 cm, 1827.

B --
 _`[Escravos serrando madeiras_`]
 Legenda: Jean-Baptiste Debret. *Serradores*. Gravura, 17,3   24 cm, 1822.

C --
 _`[Escravos carregando pipas_`]
 Legenda: John Clarke e Henry Chamberlain. *Pretos de ganho*. gua-tinta colorida sobre papel, 19,9  27,9 cm, 1822.

D --
 _`[Escravos carregando cestos, bacias e fardos na cabea_`]
 Legenda: H. Alken e Henry Chamberlain. *Largo da 
  Glria* (detalhe). gua-tinta colorida sobre papel, 19,9   27,6 cm, 1822.
<R->

<R+>
 a) Identifique o tipo de escravo retratado em cada uma das imagens. Depois, associe cada uma delas  opo correta destacada no quadro abaixo escrevendo o nmero correspondente.

<F->
!:::::::::::::::::::::::::::::::
l   1) Escravos artesos      _
l   2) Escravos de servios   _
l      urbanos                  _
l   3) Escravos domsticos    _
h:::::::::::::::::::::::::::::::j
<F+>

 b) Algumas atividades que eram realizadas pelos escravos urbanos ainda so executadas nos dias de hoje? Quais?
<R->

<58>
<R+>
2. Observe o grfico a seguir. Ele representa o nmero de africanos que foi trazido para o Brasil em diferentes pocas.
<R->

<R+>
_`[Grfico adaptado_`]
 Africanos trazidos para o Brasil (nmero aproximado de pessoas)

 Sculo XVI -- 50.000
 Sculo XVII -- 560.000
 Sculo XVIII -- 1.680.000
 Sculo XIX -- 1.732.000
<R->

<R+>
 Jaime Pinsky. *A escravido no Brasil*. So Paulo, Contexto, 2000. 
<R->

<R+>
Leia as questes a seguir e anote as respostas.
 a) De acordo com o grfico, em qual sculo foi trazido o maior nmero de africanos para o Brasil?
<P>
 b) Qual foi o nmero total de africanos trazidos para o Brasil do sculo XVI ao sculo XIX?
<R->

De olho na Biblioteca

  Neste livro a autora mostra, de um jeito simples e interessante, a trajetria dos africanos e de seus descendentes no Brasil.
  Voc vai conhecer aspectos importantes da histria dos escravos africanos, as atividades que realizavam, o seu modo de vida e as suas lutas. A influncia cultural na culinria, nas artes e na religio so outros assuntos tratados neste livro.

<R+>
*Negro*: reconstruindo nossa histria, de Nancy Caruso Ventura. So Paulo, Noovha Amrica, 2003.
<R->

<59>
<P>
A resistncia  escravido

  Os africanos e os seus descendentes que foram escravizados no aceitaram a condio de escravos e lutaram de diversas formas contra a dominao a que foram submetidos.
  Os escravos resistiam  dominao, por exemplo, preservando costumes africanos, como a religio, as msicas e as danas. Eles podiam tambm reagir de modo violento, rebelando-se e ateando fogo nas senzalas e nos canaviais e at mesmo atacando os feitores e os senhores.
  Entre as formas de resistncia utilizadas pelos escravos, uma das mais importantes era a fuga e a formao de quilombos. Os quilombos eram povoamentos formados por escravos que conseguiam fugir dos seus senhores. Esses povoamentos, geralmente, ficavam escondidos nas matas, em lugares de difcil acesso.
  Os quilombos sempre foram com-
batidos pelos senhores e governantes, que temiam que um nmero maior de escravos fugisse e se abrigasse nessas comunidades.
<60>
  Para tentar intimidar os escravos e evitar que eles fugissem do cativeiro, havia leis que previam severas penas para os escravos fugitivos.
  O texto a seguir  um trecho de uma lei criada pelo rei de Portugal. Essa lei determinava os castigos que deviam ser aplicados aos escravos fugitivos, que eram chamados de "fujes", quando eram capturados em quilombos. Leia-o.

  [...] todos os negros, que forem achados em quilombos, estando neles voluntariamente, se lhes ponha com fogo, uma marca em uma espdua com a letra F, [...] e se quando se for executar esta pena 
<P>
for achado j com a mesma marca, se lhe cortar uma orelha [...].

<R+>
 Clvis Moura. *Quilombos*: Resistncia ao escravismo. So Paulo, tica, 1989.
<R->

  Apesar da perseguio dos senhores e dos governantes, os escravos formaram quilombos em todas as partes do Brasil.
  O quilombo mais importante j formado foi o quilombo dos Palmares, que ficava localizado onde atualmente se encontram os estados de Alagoas e Pernambuco.
  O quilombo dos Palmares resistiu durante quase todo o sculo XVII, e chegou a contar com cerca de 20 mil habitantes. Esse quilombo ocupava uma rea de 50 quilmetros de largura por 150 quilmetros de extenso, e era formado por onze mocambos ou povoamentos.
  Veja, abaixo, a regio ocupada pelo quilombo dos Palmares e quais eram os mocambos que o formavam.

<R+>
_`[Mapa mostrando a localizao dos mocambos.
 Pernambuco: Amaro, Acotire, Tabocas 1, Tabocas 2, Zumbi, Aqualtene, 
  Dambrabanga, Osenga;
 Alagoas: Subupira, Macaco, 
  Andalaquituche_`]
<R->

<R+>
*Nova Escola*, ano X, n.o 86. So Paulo, Fundao Victor Civita, agosto/1995.
<R->

<61>
  O quilombo dos Palmares era organizado nos moldes dos reinos africanos: cada mocambo tinha um chefe, e esses chefes elegiam um rei, que governava todo o quilombo.
  A maioria dos quilombolas, nome dado aos moradores dos quilombos, eram escravos africanos que conseguiam fugir dos seus senhores. Alm dos escravos de origem africana, viviam em Palmares indgenas e brancos pobres.
  Leia, no texto a seguir, como viviam os moradores de Palmares.

  [...] Palmares, chamada por seus habitantes de Angola Janga -- Pequena Angola, homenagem  ptria de origem da maioria deles --, era uma terra de farturas. Plantavam-se milho, mandioca, feijo, batata-doce e cana-de-acar. Junto aos casebres, feitos de pau-a-pique e cobertos de folhas de palmeiras -- as palmares --, criavam-se porcos e galinhas. Nas matas caavam-se veados, guaxinins, lobos-guar e apanhavam-se frutas como coco, banana, jaca e graviola. A pesca era feita no rio Munda.
  Os palmares [como eram chamados os moradores] viviam como na distante Angola. Vestiam uma tanga feita de peles de animais. [...] Muitos moradores eram hbeis artesos e conheciam a *meta-
<p>
lurgia*. O excedente da produo era comercializado nos vilarejos. [...]

<R+>
 Elvira de Oliveira. "Glria e morte dos palmares". In: *Nova Escola*, ano X, n.o 86. So Paulo, Fundao Victor Civita, agosto/1995.
<R->

<R+>
 a) De acordo com o texto, como era a vida dos habitantes do quilombo dos Palmares? Copie a resposta correta.
 Eles enfrentavam dificuldades, pois os recursos necessrios  sobrevivncia eram escassos.
 Havia fartura e os habitantes do quilombo utilizavam vrios recursos na produo do que necessitavam.
 b) Na sua opinio, de quem os moradores dos quilombos precisavam se defender?
<R->

<62>
  O principal lder de Palmares foi Zumbi, que governou durante os ltimos anos de existncia do quilombo. Hbil guerreiro, ele comandou os seus homens e conseguiu resistir ao ataque de diversas tropas enviadas para destruir o quilombo.
  No ano de 1695, uma grande tropa foi enviada pelo governo de Pernambuco para destruir Palmares. Essa tropa era comandada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho e contava com quase trs mil homens muito bem armados, inclusive com canhes.
  Depois de resistir durante muitos dias aos ataques dessas tropas, o quilombo foi invadido e destrudo. Muitos quilombolas morreram, e os sobreviventes foram levados de volta para o cativeiro.
  Zumbi escapou com vida, mas, dois anos depois, ele foi trado por um antigo companheiro, caiu em uma emboscada e foi morto.
<P>
<F->
!::::::::::::::::::::::::::::::::
l    Zumbi dos Palmares tor-   _
l  nou-se um smbolo da luta     _
l  dos descendentes de afri-     _
l  canos pelos seus direitos.    _
l  O dia 20 de novembro, dia   _
l  da morte de Zumbi, foi es-   _
l  colhido como Dia da Cons-   _
l  cincia Negra.               _
l    H cerca de cem anos, o    _
l  artista brasileiro            _
l  Antnio Parreiras, pro-     _
l  duziu numa tela, a repre-     _
l  sentao de Zumbi.           _
h::::::::::::::::::::::::::::::::j
<F+>

<63>
  Assim como Palmares, a maioria dos quilombos foi destruda, e os quilombolas foram mortos ou tiveram que voltar para o cativeiro.
  No entanto, vrios quilombos escaparam da destruio, e os descendentes dos quilombolas mantiveram essas comunidades at os dias de hoje.
  Esse  o caso da comunidade de Jamary do Preto, localizada no estado do Maranho.
  Observe abaixo, as comunidades remanescentes de quilombos no Brasil na atualidade.

<R+>
Quilombos com reconhecimento 
  territorial

 _`[Mapa mostrando a localizao dos quilombos.
 Par: Bacabal, Arancuan de 
  Cima, Arancuan do Meio, 
  Arancuan de Baixo, Serrinha, Jarauac, Terra Preta II, 
  Erepecuru, Abacatal-Aur, 
  Itamacari;
 Amap: Curia;
 Maranho: Jamary dos Pretos, Santo Antnio dos Pretos, Eira dos Coqueiros, Moco-
  rongo;
 Pernambuco: Conceio dos Crioulos, Castanho;
 Sergipe: Mocambo;
 Bahia: Mangal, Rio das Rs, Parateca e Pau-d.rco;
 Tocantins: Kalungas;
 Mato Grosso: Mata Cavalo;
<P>
 Mato Grosso do Sul: Furnas da Boa Sorte;
 Rio de Janeiro: Caveira, Rasa, So Jos da Serra, Santana, Santa Rita do Bracuhy, Campinho da Independncia;
 So Paulo: So Pedro, Piles, Maria Rosa_`]
<R->

<R+>
 Fonte de pesquisa: Instituto Socioambiental, 1999.
<R->

<R+>
 Existem comunidades remanescentes de quilombos no estado em que voc mora? Quais? Escreva a resposta.
<R->

<64>
O fim da escravido

  Apesar da resistncia dos escravos  dominao e da sua luta pela liberdade, at meados do sculo XIX, era a mo-de-obra escrava que produzia a maior parte da riqueza no Brasil.
  Naquela poca, comearam a ganhar fora idias em favor da abolio da escravido. Essas idias eram defendidas por escritores, pintores, msicos, polticos e muitas outras pessoas que tomaram parte no movimento abolicionista, e que se uniram  luta dos escravos em defesa do fim dessa grande injustia.
  Leia o texto a seguir, que trata da luta do movimento abolicionista.

  [...]
  A luta pela liberdade se fez no apenas pelas rebelies, mortes de senhores e propagao de quilombos, mas tambm pela fora das palavras, pela expresso dos artistas, pela oratria dos polticos, pelas notas musicais.
  Todas as idias abolicionistas, de respeito ao ser humano, de justia e de liberdade tomaram conta de parte da sociedade.
  Entre os abolicionistas, encontramos Olavo Bilac, Rui Barbosa, Joaquim Nabuco, Andr Rebouas, Antonio Bento, Castro Alves, Luis Gama, Jos do Patrocnio, conhecido como "Tigre do Abolicionismo", jornalista e dono do jornal "Gazeta da Tarde", que, em seus artigos, fazia forte enfrentamento  "aristocracia do caf", que lutava pela manuteno do cativeiro.
  Com a libertao, os proprietrios de escravos teriam grandes prejuzos, perderiam o capital empregado na compra desses e a mo-
-de-obra [...] para a produo do caf.
  [...]

<R+>
 Nancy Caruso Ventura. *Negro*: reconstruindo nossa histria. So Paulo, Noovha Amrica, 2003.
<R->

<R+>
 a) Por que os proprietrios de escravos queriam a manuteno da escravido? Anote a resposta no caderno.
<P>
 b) Voc j ouviu falar sobre algum dos abolicionistas citados no texto? Em caso afirmativo, qual  o nome dele e o que voc sabe sobre ele? Comente com os colegas.
<R->

<65>
  Durante o perodo de escravido no Brasil, os escravos e alguns grupos da sociedade buscaram formas de pr um fim a esse tipo de trabalho. Em 1850, o trfico de escravos da frica para o Brasil foi proibido por uma lei chamada Lei Euzbio de Queirz. Depois da proibio do trfico de escravos, foram aprovadas outras leis que tinham como objetivo abolir gradualmente a escravido no Brasil. No entanto, essas leis tiveram pouco efeito e apenas adiaram a abolio da escravido.
  Veja a seguir quais foram essas leis.
<P>
<R+>
 Lei do Ventre Livre, de 1871
 Essa lei tornou livres os filhos de escravos nascidos aps a sua aprovao.

 Lei dos Sexagenrios, de 1885
 Essa lei tornou livre os escravos que tivessem mais de 60 anos.
<R->

  Finalmente, no dia 13 de maio de 1888, o governo brasileiro aprovou a Lei urea, que colocou fim em quase 350 anos de escravido no Brasil.
  Observe a seguir, a descrio da reproduo da capa da *Revista Illustrada*, que era uma das mais importantes publicaes que lutavam pelo fim da escravido.
  Nessa edio, publicada em maio de 1888, a revista comemora a libertao dos escravos e faz uma homenagem a alguns dos abolicionistas.
<P>
<R+>
 _`[Revista Ilustrada
  Rio de Janeiro -- 1888
  Anno 13 -- nmero 498
  Lei de 13 de maio de 1888
   declarada extincta a escra-
  vido no Brazil
  Jos do Patrocnio
  Joaquim Nabuco
  Senador Dantas
  Joo Clapp_`]
<R->

<R+>
  Cite os nomes de alguns abolicionistas que so homenageados nessa 
edio da revista.
<R->

<66>
A influncia dos africanos na 
  cultura brasileira

  A presena dos africanos em nosso territrio, a partir de 1550, teve grande influncia na formao da cultura brasileira. Ainda hoje  possvel perceber essas influncias na comida, nas danas, nas msicas, nas festas populares etc.
<P>
  Veja alguns exemplos a seguir.
  A influncia africana est presente em danas como o samba e o frevo, que, atualmente, so conhecidos como danas tipicamente brasileiras.

<R+>
_`[Foto mostrando um carro alegrico e um grupo de pessoas vestindo fantasias iguais_`]
 Legenda: Em vrios lugares do Brasil, o Carnaval  animado pelo ritmo do samba. Ao lado, desfile de escola de samba no Carnaval do Rio de Janeiro.
<R->

  Algumas festas populares, como o Maracatu e a Congada, receberam grande influncia africana. Festas como essas so realizadas em vrios lugares do Brasil.
<P>
<R+>
_`[Foto mostrando um grupo de pessoas desfilando com fantasias coloridas_`]
 Legenda: Pessoas participando do Maracatu realizado na Cidade Tabajara, Olinda, no estado de Pernambuco.
<R->

<67>
  Alguns pratos tpicos, como a feijoada, o vatap, o acaraj e o cuscuz, so exemplos da influncia africana na culinria brasileira.
  A feijoada tornou-se um dos pratos mais famosos da culinria brasileira.
  Diversos instrumentos musicais, como a cuca, o atabaque e o berimbau, foram criados e introduzidos em nossa cultura pelos africanos.
<P>
Atividades

<R+>
1. Vrias palavras que utilizamos em nosso dia-a-dia tm origem africana. Veja alguns exemplos.
<F-> 
angu -- canjica          
batuque -- carimbo       
cafun -- caxumba        
camundongo -- chuchu     
fub -- quiabo            
jil -- quitute          
marimbondo -- capoeira   
moleque -- berimbau       
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a) Converse com os colegas e procurem identificar o significado de cada uma dessas palavras. Procurem no dicionrio o significado das palavras que vocs no conseguirem identificar. Anote as respostas. 
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As lutas dos descendentes de 
  africanos na atualidade

  A escravido dos africanos no Brasil deixou marcas profundas em nossa sociedade. Apesar da sua grande participao na formao do nosso pas, muitos descendentes de africanos enfrentam situaes de discriminao e preconceito.
  Atualmente, os descendentes de africanos tm se organizado e lutado para transformar essa situao. Uma das formas encontradas por eles para defender os seus direitos  a organizao de movimentos sociais, como o movimento negro.
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l    O Il Aiy  um dos mo-  _
l  vimentos negros existentes    _
l  no Brasil. Essa institui-   _
l  o, fundada em 1974, luta   _
l  para preservar, valorizar e   _
l  expandir a cultura afro-      _
l  -brasileira por meio de pro-  _
l  jetos carnavalescos, cultu-   _
l  rais e educacionais. Alm    _
l  disso, eles trabalham para    _
l  resgatar a auto-estima e a    _
l  conscincia crtica dos des-  _
l  cendentes de africanos que    _
l  vivem no Brasil.             _
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Trocando idias

  Desde a Constituio de 1988, o racismo  considerado crime no Brasil. Apesar disso, muitos descendentes de africanos sofrem discriminao em nosso pas.
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 a) Voc j presenciou alguma situao na qual um descendente de africano sofreu discriminao? Em caso afirmativo, o que voc sentiu?
 b) Na sua opinio, por que muitos descendentes de africanos so discriminados em nosso pas?
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               xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxo

Fim da Primeira Parte